Quando o assunto é cachaça, Minas Gerais é inevitavelmente sinônimo de qualidade. Não surpreende, portanto, o resultado da degustação às cegas do Expocachaça 2018, uma das maiores feiras do setor.

A prova foi realizada nos dias 9 e 10 de junho em Belo Horizonte. As cachaças mineiras foram as mais premiadas, com 30 medalhas entre ouro e prata. A verdadeira surpresa veio de Santa Catarina, o segundo estado mais premiado, com dez medalhas.

cachaça

Ao todo foram 238 amostras avaliadas por 17 jurados coordenados por Lorena Simão, do LABM – Laboratório Amalize Maia, Renato Frascino, coordenador de diversos cursos de bebidas e técnico sensorial de alimentos e bbdidas, e Renato Costa, presidente da ABS – Associação dos Somelieres do Brasil – MG.

Rio de Janeiro também se confirma como um dos melhores estados produtores graças às sete medalhas conquistadas. A seguir Rio Grande do Sul (6), São Paulo e Goiás, cada um com cinco, Espírito Santo (4) e Maranhão (2). Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Norte e Ceará, ganharam cada um uma medalha.

E, provando de que a destilaria da branquinha vai muito além da herança tradicionalmente mineira, o Paraná também está entre os premiados.  A destilaria Companheira foi premiada na categoria “Madeiras Diversas” graças ao rótulo Companheira Gatinha, do produtor Natanael Carli Bonicontro, que criou a cachaçaria em 1994 em Jandaia do Sul, no norte do Paraná, no Vale do Rio Ivaí. O destilado é envelhecido por dois anos em tonéis de madeira amburana e armazenadas em barris de carvalho americano e europeu por mais quatro anos. O resultado é forte: 40% de graduação alcóolica no rótulo de 600ml.

Estima-se que, no Brasil, mais de 4 mil marcas de cachaças são registradas. Com tantas opções disponíveis no mercado, fica, de certa forma, complicado selecionar os melhores rótulos, mesmo quando o paladar seja bem familiarizado com a branquinha. É por isso que alguns métodos de análise, como degustações à cegas, são necessárias para avaliar a evolução e a qualidade desses produtos.

As cachaças foram julgadas nas seguintes categorias:
1) Brancas Puras armazenadas em tanques de inox ou vasilhame inerte, sem passar por qualquer tipo de madeira;
2) Descansadas em madeiras como amendoim, jequitibá, entre outras que não interferm na cor;
3) Envelhecidas em Carvalho Francês;
4) Envelhecidas em Carvalho Americano;
5) Envelhecidas em diversas madeiras brasileiras, como Amburana, Bálsamo, Loro e Canela, Castanheira, Pau Brasil, entre outras;
6) Envelhecidas na Categoria Extra-Premium, envelhecidas acima de três anos;
7) Bebidas com cachaça.

Cada produtor ofereceu espontaneamente amostras de até dois rótulos para serem julgados na prova. Depois de coletadas, as amostras – foram 238 no total – são enumeradas e transferidas para outras garrafas, sem o rótulo. “Isso permite que o jurado analise a aparência, cor e visual da bebida de maneira mais aprofundada”, explica Lorena Simão, coordenadora da prova.

Nesta edição foram 17 jurados que julgaram os destilados em nove categorias. Como foram apenas dois dias de avaliação, a mesa julgadora foi dividida em dois grupos para que todos pudessem avaliarem as cachaças tanto do lado técnico quanto o sensorial. Os jurados lançam mão de alguns aliados para “limpar” o paladar entre uma provinha e outra – afinal, a variedade de rótulos a serem julgados foram muitos. “Maçã verde, pão e água foram alguns alimentos disponíveis para não misturar os sabores dos rótulos. Como em uma degustação avaliadora, o jurado não bebe a cachaça, só degusta e, depois, cospe”, contou.

Todas as cachaças são classificadas da seguinte forma: acima de 90 pontos ganha a medalha de ouro, de 80 a 89 pontos a de prata e 70 a 79 de bronze. “Nesta edição da Expocachaça houve um altíssimo nível da qualidade das cachaças. Cerca de 97% dos rótulos tiveram notas acima de 70 pontos”, afirma Simão.

 

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Fonte: SC (20/06/2018)