Atuação em diferentes espaços da agricultura familiar e da pesca artesanal mostra a importância das mulheres catarinenses não apenas como geradoras de renda, mas como gestoras da propriedade e responsáveis pela organização comunitária e pela qualidade de vida da sociedade.

As mulheres representam 48% da população rural brasileira, de acordo com a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário. Em 2014 elas eram mais de 14 milhões e as maiores responsáveis pela produção destinada ao consumo familiar e pelas práticas agroecológicas e de reprodução de sementes crioulas. Elas contribuem com 42,4% do rendimento da família, mas ainda são minoria quando se trata da propriedade dos estabelecimentos da agricultura familiar: somente 16% deles têm as mulheres como responsáveis.

Em Santa Catarina essa participação alcança só 7,5% (Censo, 2010 e Censo Agro, 2006). Esses números refletem a pouca valorização do trabalho feminino no espa- ço rural e pesqueiro. Segundo dados do IBGE de 2006, muitas mulheres não são nem mesmo reconhecidas como agricultoras familiares: a maioria das atividades produtivas realizadas por elas são consideradas extensão do trabalho doméstico. Por muitos anos isso gerou exclusão de autonomia econômica desse grupo, bem como das decisões sobre a terra.

Foi a partir da constituição de 1988, por exemplo, que elas passaram a ter os mesmos direitos previdenciários que os homens trabalhadores rurais. Para as mulheres que atuam na pesca, as dificuldades de reconhecimento e visibilidade como profissionais também são inúmeras e só muito recentemente é que elas estão se inserindo em colônias de pescadores e buscando seus direitos.

Para mudar essa realidade, desde 2003 o governo federal passou a ampliar as políticas públicas para a mulher do campo e da pesca. Entre outros benefícios, elas facilitam o acesso à documentação, à terra, ao crédito, além de assegurar a participação na gestão de associações e cooperativas, influenciando a comercialização e a agregação de valor aos produtos. As empresas estaduais de assistência técnica e extensão rural são responsáveis pela implantação dessas políticas. Em Santa Catarina, a Epagri também desenvolve outras ações para qualificar o público feminino. Tais capacitações permitem que as mulheres desenvolvam habilidades e usem o conhecimento adquirido para melhorar a qualidade de vida da família e da comunidade. Outra iniciativa são os cursos de liderança, gestão e empreendedorismo com jovens rurais e oriundas de famílias que adotaram a pesca como principal atividade. São oportunidades que refletem a mudança na visão de futuro do público feminino.

Em Santa Catarina as atividades produtivas com que as mulheres mais se envolvem são bovinocultura de leite, olericultura, suinocultura, turismo rural, agroecologia, pesca, maricultura e processamento de alimentos para agrega- ção de valor. Em 2010, 25% das agroindústrias catarinenses estavam sob a responsabilidade de mulheres (Epagri/ Cepa). “As mulheres transformam informação em conhecimento e possibilidades a serem compartilhadas. Elas não costumam se acomodar, estão sempre inovando e investindo. Eu acredito que elas se pautam por um princípio: o que se acomoda não avança. Elas têm garra e espírito de inovação. Outro diferencial é que elas lutam pela melhoria da renda e da qualidade de vida da família e da comunidade, não se contentam em resolver apenas o problema delas”, diz a coordenadora do programa Capital Humano e Social da Epagri, antropóloga Rose Mary Gerber. Com essas atitudes e com acesso às políticas públicas, as mulheres do campo e da pesca ocupam espaços de liderança, empreendendo, realizando mudanças e superando desafios

Esta reportagem traz histórias de mulheres que estão transformando o espaço rural e da pesca, garantindo a qualidade de vida à sociedade.

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Primeira produtora do queijo serrano a conquistar o SIM na região de São Joaquim

Conhecida como a mulher do queijo na comunidade do Pericó, município de São Joaquim, a agricultora Rosângela Carbonar Guedes de Souza, 48 anos, assumiu a produção do queijo artesanal serrano (QAS) como principal atividade econômica em 2015 e em 2017 recebeu o Selo de Inspeção Municipal. Ela foi a primeira produtora a conquistar o registro na região de São Joaquim, que atesta a qualidade e a segurança de produtos de origem animal para o consumo humano.

Segundo a coordenadora do Projeto Queijo Artesanal Serrano na Epagri, Andreia Meira, Rosangela já é referência por sua determinação e se destaca como empreendedora rural. “Nos projetos desenvolvidos na região acreditamos muito na mulher como agente de mudança, principalmente pela visão de futuro, capacidade de articulação e de inovação. Temos na queijaria cor-de-rosa a expressão da for- ça da mulher rural”, diz ela se referindo à agroindústria que foi pintada de branco e rosa.

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Até 2015 a agricultora cultivava hortaliças orgânicas, mas decidiu escolher outra atividade que tivesse menos impacto na coluna. Uma reunião com técnicos da Epagri foi suficiente para ela decidir apostar no queijo. O marido Janir não se animou muito na época, mas embarcou no projeto. Hoje ela produz o queijo e faz a gestão financeira da agroindústria; ele é responsável pela lida com os animais. Em 2016 eles conseguiram R$17 mil do Programa Santa Catarina Rural e investiram mais R$53 mil para construir a queijaria, comprar equipamentos, construir uma nova sala de ordenha, reformar o galpão e outras obras. “O Janir ficou meio apavorado, mas insisti. Pra gente ir pra frente tem que investir”, diz Rosângela. Eles produzem uma média de seis quilos de queijo por dia. O comércio, também conquistado por ela, por enquanto se limita aos supermercados locais e aos turistas. O quilo é vendido por R$35,00 e rende cerca de R$3 mil para a família, que é formada também por um casal de filhos. Mas a agricultora tem planos ambiciosos: ela quer obter o selo de inspeção federal para comercializar em todo o país. Em meados de 2018 ela pretende chegar a uma produção diária de 25 quilos de queijo, trabalhando apenas com a mão de obra familiar.

Com incentivo da Epagri, outra ideia de Rosângela é fazer parte da Acolhida da Colônia, projeto que reúne agricultores para atuar no turismo rural. Ela pretende construir um quiosque para vender o queijo e um chalé para receber hóspedes. A agricultora vai se juntar à irmã que tem padaria para oferecer diferentes produtos aos turistas. “Temos que crescer. É daqui que vai sair nosso lucro e o dos filhos. Quero deixar um bom negócio para eles, sem precisar sair da propriedade”. Segundo Andréia, Rosângela tem sido um dos muitos exemplos inspiradores que comprovam o potencial e a capacidade da mulher serrana em investir na valorização dos produtos regionais e transformar a realidade, gerando renda, fortalecendo a identidade e a história da família, ampliando a esperança e as perspectivas de qualidade de vida no meio rural.

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Liderança entre os pescadores de Balneário Piçarras

A jovem de Piçarras Adriana Ana Fortunato Linhares, 29 anos, está na pesca há nove anos, desde que se casou. Filha de operário e de costureira, ela abraçou a profissão da família do marido Alex com a mesma garra que faz tudo na vida e hoje se destaca na atividade, que vai bem graças à gestão feita por ela. Em 2017 ela foi eleita para a presidência da Colônia de Pescadores Z-26, a primeira mulher na história da entidade a alcançar esse posto. Ela atribui a conquista desse espaço à participação no curso de gestão e empreendedorismo para jovens do mar oferecido pela Epagri, realizado em 2016. “Através do curso chegamos à conclusão de que é possível fazer mudanças, fazer a diferença. A colônia é suporte para os pescadores, através dela eles têm acesso a direitos trabalhistas e previdenciários, além de outros documentos importantes para a atividade”, diz a nova presidente. A entidade existe desde 1998 e hoje conta com cerca de 40 associados. “O interesse pelo acesso à informação é o diferencial de Adriana”, destaca a extensionista do município de Penha, Naiara Sampaio Silva, que acompanhou e orientou a pescadora durante o curso. Segundo Naiara, ela foi a melhor aluna da turma e já estava com o projeto pronto antes do prazo. O projeto, que previa desenvolver a atividade com mais segurança, foi contemplado em 2017 com R$10 mil do Programa Santa Catarina Rural para aquisição de hélice, eixo e guincho para a embarcação familiar.

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A renda da família de Adriana – formada também pelos pequenos Davi e Elisa – vem 100% da pesca do camarão, cuja produção fica em torno de 80kg diários. O trabalho dela começa antes da embarcação ganhar as águas, permanece enquanto o Alex pesca e continua depois que ele chega. Ela providencia o gelo para o pescado e o combustível para o barco, limpa a embarcação, cuida dos filhos, arruma a casa, cozinha, faz serviços bancários, administra as finanças do lar e da atividade pesqueira, é responsável pela agregação de valor ao pescado (descasca camarão, eviscera e fileta peixe), vende a produção, organiza o rancho de pesca, faz a manutenção do barco quando ele está no porto. “Se a mulher não pegar junto, a atividade não vai pra frente”, diz Alex. Ela acha graça, mas reconhece que a mulher é mais corajosa para assumir riscos e encarar desafios. “Com lideranças como Adriana, a pesca artesanal, que hoje é responsável por 80% da produção dos pescados do País, só tem a crescer”, afirma a extensionista.

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Organização dos agricultores e agregação de valor da produção

A agricultora de Sangão Nilziane Ricardo Rodrigues da Silva, 33 anos, é o exemplo da mulher que quer melhorar a qualidade de vida não apenas da família, mas também de toda a comunidade onde vive.

Presidente da Associação dos Agricultores de Sangão (Agrisan) desde que a entidade foi criada, em 2015, ela vem desenvolvendo um trabalho incansável para que os produtores se organizem em grupo. “Esse é o caminho para conseguir mais recursos e melhorar a produção. O agricultor tem seus direitos, tem que se unir pra buscá-los”.

Hoje a entidade conta com 26 famílias associadas. A agregação de valor é o foco da atuação de Nilziane na Agrisan, que foi criada por estimulo da Epagri para que os agricultores tivessem acesso aos recursos do SC Rural. Ela usa a própria experiência para motivar os associados: a propriedade da família se dedica ao processamento de aipim ao invés de entregá-lo in natura para outras agroindústrias, pois a renda do produto processado é bem mais significativa.

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A criação da Agrisan permitiu que o grupo recebesse, em 2016 e 2017, mais de R$ 284 mil do SC Rural para projetos individuais e um coletivo, que foi a criação da feira da associação. Essa feira terá início no começo de 2018 e vai comercializar doces, geleias, melado, açúcar mascavo, licor, sal temperado, farinha de mandioca, escondidinho e outros produtos típicos regionais como derivados de aipim, batata-doce, hortaliças, frutas, etc. “Roça dá dinheiro uma vez por ano e ninguém quer mais isso. O jovem urbano quer celular, tênis bom. O rural também! Na agricultura a gente tem que inovar pro filho não sair”, diz ela, que tem três filhos pequenos e está montando toda essa estrutura para que os herdeiros tenham onde trabalhar no futuro.

Ela vive com as crianças e o marido Ailton numa área de 30 hectares, onde estão instaladas a agroindústria e a moradia, bem como a roça de aipim, a plantação de eucalipto e a criação de gado de corte para consumo da família. Hoje eles processam 2,5 toneladas de aipim por mês e comercializam em restaurantes e mercados, além de entregar para alimentação de escolas de Laguna e vender na feira de Jaguaruna. A agroindústria foi criada em 2016 com assessoria da Epagri e a partir de recursos do SC Rural. O marido se envolve com o cultivo e com as entregas e Nilziane com as vendas e com a gestão financeira do empreendimento. A renda bruta mensal está em torno de R$6,2 mil. A intenção é aumentar a produção e investir em novos produtos, como aipim frito e caldo de aipim. “Estamos em busca de novos financiamentos”, diz ela. Segundo o extensionista rural de Sangão, Natalício Nandi, Nilziane se destaca porque é muito trabalhadora, dinâmica e tem preocupação com a comercialização dos produtos com valor agregado. À frente da Agrisan e com assistência técnica da Epagri, ela está mudando a realidade da agricultura do município.

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Produção sustentável e saúde para as famílias

Maria Olice Merelles Prestes dos Santos, de 47 anos, mais conhecida como Lila Orgânica, descobriu na produção agroecológica um modo de vida mais saudável para ela e a população de Papanduva, município do Planalto Norte onde mora desde a infância. Ela se mudou para a área rural quando se casou, em 1997, e em seguida procurou a Epagri para aprender sobre agricultura sustentável, porque queria produzir alimento saudável para a família. “Se antigamente tudo era plantado sem veneno, por que agora não dá?”, indaga. Sua iniciativa foi tão bem-sucedida que ela conseguiu estimular outros produtores a mudar o sistema de produção e, com assessoria da Epagri, em 2012 montou um grupo de agricultores orgânicos no município.

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Desde 2015 ela tem a certificação da Rede Ecovida de Agroecologia e comercializa no município, principalmente na feira que ajudou a criar e na qual trabalha como secretária. Dependendo da época do ano, ela leva para lá tomate cereja, alface crioula, quiabo, batata yacon, banana, amendoim, pipoca, brócolis, rabanete, repolho, cebola e mudas de temperos e ervas medicinais. Tudo é cultivado em uma área de 2,7 mil m², com o apoio do marido Valdemir, na propriedade onde eles vivem com três filhos. A demanda é maior que a oferta, mas a atual produção permite que ela comercialize na feira e ao mesmo tempo na propriedade, direto para o consumidor. As escolas também recebem alguns produtos da horta de Lila, que se preocupa com a alimentação das crian- ças. Isso a fez, inclusive, ser eleita presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), criado em 2015. Foi por meio do Consea que Papanduva realizou o primeiro encontro de sementes crioulas, em 2017, experiência que Lila já trazia de trocas com grupos do Planalto Norte e do Paraná. “Minha vó era índia e ensinou minha mãe a tirar as sementes, deixar secar num pedaço de pacote de trigo e replantar. Cresci vendo isso. Acho que vem delas essa vontade de guardar semente, multiplicar e trocar com os vizinhos para garantir a existência de várias espécies A produção de alimentos limpos e saudáveis é prioridade da agricultora de Papanduva não comerciais e diversificar a alimentação”. O modo de vida de Lila está influenciando a população: os vizinhos estão diminuindo o uso de venenos e muitos pedem a ajuda técnica dela para implantar hortas. Uma coisa é comum a todos: a procura pelas hortaliças que ela produz.

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A agricultora ensina tudo o que sabe, quer estimular os outros a fazerem também. “A dona Lila é uma mulher sonhadora, que luta pelos seus objetivos. Sonha com um mundo melhor, onde a produção de alimentos limpos e saudáveis é prioridade. Faz da agroecologia o seu modo de vida e, sempre que pode, compartilha seu saber e motiva as pessoas ao seu redor,” afirma a extensionista rural do município, Camila Pereira Croge. Hoje Lila se diz realizada e feliz por ver o espaço rural transformado. “Me pergunto porque não comecei antes. Quero chegar aos 100 anos produzindo”. Os planos da família são direcionar os investimentos na horta, aumentar a área e trazer o marido, que ainda faz trabalhos como pintor na cidade, para se dedicar apenas à produção agroecológica.

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Exemplo de força, superação e resiliência

A agricultora de Descanso Verônica Chenedeze Dambrós, de 54 anos, é exemplo força, superação e resiliência. Viúva em 2003, aos 40 anos e com três filhas pequenas, ela teve que deixar a propriedade da família do marido e se reinventar para sobreviver no campo, de onde ela nunca quis sair. “A evolução acontece com a crise”, acredita. Até então ela plantava fumo e feijão e produzia leite. Ao se ver sozinha, procurou a Epagri e foi inserida no programa de crédito fundiário, de onde conseguiu financiamento de R$40 mil para comprar a propriedade de 3,5ha onde vive desde 2011 e produz frutas e hortaliças orgâ- nicas. “A história de vida dela tem um enredo de perdas e sofrimentos, mas agora de empoderamento. E ela segue nesse mistério, que é uma felicidade contagiante”, diz a extensionista social em Descanso, Flavia Maria de Oliveira.

A principal atividade da agricultora é o processamento de hortaliças para conserva, no que a Epagri novamente foi decisiva para o sucesso do negócio: Verônica fez cerca de 20 cursos na área oferecidos pela Empresa. Além do recurso para comprar a propriedade, Verônica conseguiu mais R$30 mil do Banco da Terra para investir na agroindústria e R$4 mil do Programa Santa Catarina Rural para comprar equipamentos. No começo era só pepino, hoje “planto e colho repolho roxo, cebola, couve-flor, beterraba, rabanete, pêssego…” São cerca e 8,3 mil vidros por ano, tudo comercializado no município. Sempre em busca de novos mercados, Verônica passou a entregar hortaliças para a alimentação nas escolas do município. Hoje o cardápio da criançada inclui cenoura, pimentão, brócolis, radiche, geleia de morango, conserva de pepino, doce de abóbora. “Só vou parar de oferecer alimento para as escolas quando estiver vovozinha. É uma terapia plantar verdura orgânica”, diz ela, que acredita durar mais 40 anos devido à felicidade que encontrou na atividade. A extensionista da Epagri sempre é surpreendida pela animação de Verônica, que cria receitas novas, vai experimentando, vai se desafiando. Uma preparação de sucesso é a cebola ao vinho.

O próximo desafio é desenvolver a conserva de pepino light para atender consumidores com restrições alimentares, como é o caso de diabéticos e hipertensos. “Não podemos parar no tempo, temos sempre que evoluir, amanhã é outro dia”, afirma a agricultora. Agora, ela também está pesquisando outras formas de financiamento para comprar freezer para mandioca, já que recentemente começou a trabalhar com a cultura.

Hoje suas filhas são casadas e ela também se casou novamente. O marido Ivo, aposentado de um frigorífico da região, ajuda Verônica na roça e faz as entregas. “Hoje eu tenho uma vida boa, tenho bons calçados, roupa boa, e ainda tenho reserva pro ano que vem”. Sua intenção é investir na qualidade dos produtos e não na quantidade, já que não pretende contratar mão de obra. “Quero aproveitar mais a vida, trabalhar menos e viver mais com a minha família”, diz. Produção de hortaliças garante uma vida confortável para Verônica, que tem reserva financeira para o ano seguinte

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Independência financeira e donas do próprio negócio

“Antigamente eu precisava pedir dinheiro pro meu marido pra tudo. Hoje é ele quem me pede”, se diverte a agricultura de Trombudo Central, no Alto Vale do Itajaí, Maria Salete de Lourenzi, de 60 anos. Essa realidade foi possível a partir de 2014, quando ela e as amigas Varlene Teresinha Bastos Belichvel, de 47 anos, e Marlise Voigt Dalke, de 49, criaram a indústria de panificados Aroma Rural. “Aqui nós plantamos e colhemos na hora. A roça depende do clima e de fazer uma boa colheita”, ressalta Varlene. Atualmente fazem parte do negócio apenas Salete e Varlene.

A agroindústria familiar rural foi a concretização de um sonho antigo das três amigas e a assessoria da Epagri foi essencial para o sucesso do empreendimento. Outro fator importante foi o apoio financeiro do SC Rural com o aporte de R$10.446,00. Na ocasião elas investiram o mesmo valor como contrapartida. “No começo os maridos ficaram meio receosos, com medo de perder a nossa mão de obra na roça. Depois que começou a dar lucro, eles se interessaram”, diz Salete. Apesar de elas ainda continuarem com as atividades no campo – Salete com o gado de leite e Varlene com a fumicultura e com o gado de leite, o foco é a produção de pães e bolachas, comercializados principalmente para a alimentação escolar de Trombudo Central, São Cristóvão, Ponte Alta e também como merenda nas escolas estaduais. Quando as encomendas aumentam, os maridos ajudam na produção, nas compras e nas entregas.

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A extensionista social do município, Leonir Claudino Lanznaster, que acompanhou o trio desde o começo, conta que as agricultoras são exemplo de coragem na região, porque começaram do nada. “Elas têm determinação e força de vontade. A primeira venda comercial delas foi de 800 gramas de docinhos. A agroindústria permitiu que elas tenham renda própria, autonomia na tomada de decisão e no gerenciamento da agroindústria. Elas têm mais sentimento de pertencimento ao empreendimento do que nas atividades desenvolvidas na propriedade. A independência financeira elevou a autoestima das duas, que se sentem valorizadas pelo reconhecimento da qualidade do produto, que rapidamente foi muito bem aceito no mercado. Elas estão mais felizes”. A agroindústria tem 70m2 e está instalada na propriedade de Maria Salete. Hoje a média da produção mensal é de 300kg de pães e 800kg de bolachas, o que proporciona uma renda em torno de R$ 2,5 mil por mês para cada uma. Para o futuro, os planos são investir em equipamentos para dobrar a produção e trazer definitivamente os maridos para, juntos, tocarem o negócio da família.

Mais informações: www.epagri.sc.gov.br

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Fonte: SC Rural – Por Isabela Schwengber / Epagri – Fotos: Aires Mariga/Epagri (02/07/2018)