Por: Nathália Bernardinetti
Analista Educacional Senac SC – Gestora do Observatório da Gastronomia

Na última sexta-feira de novembro, os alunos do Curso Superior de Tecnologia em Hotelaria do Instituto Federal de Santa Catarina – IFSC, realizaram uma atividade de projeto de extensão junto à disciplina de Alimentos e Bebidas I. Orientados pelas professoras Alice Novaes e Flavia Baratieri Losso, apresentaram produtos regionais em uma proposta de café para a rede hoteleira da região.

O evento, Café Regional Aliado à Sustentabilidade, contou também com a presença de alguns produtores que compartilharam seus produtos para a execução do café.

Na mesa principal, diversos itens produzidos em Engenhos de Farinha de Mandioca, como, por exemplo, beiju e cuscuz, da Lia e do Pedro e a bijajica, da Rosa e do Glaico, do Dom Natural Orgânicos, ali de Paulo Lopes. Compunha também a mesa principal, itens produzidos na serra catarinense, como, truta defumada e queijo de ovelha, do Quintal di Catarina, do Renatinho e da Maiara, em Bom Retiro,  além de preparações com as polpas da Universina Alimentos, produzidas pela Daniela, em Lages. Do município de Major Gercino veio o famoso – e delicioso – Queijo Diamante, símbolo de resistência e perseverança das comunidades de produtores de queijo de leite cru. Da Ilha de Santa Catarina delicadas fatias de copa e salame de pato produzidos pelo Yuli e sua equipe na Duca Charcutaria, que podiam ser combinadas com o pão de milho Hawerroth, do Thiago, de São Bonifácio. Tudo isso acompanhado de um refrescante suco de butiá preparado com a polpa trazida pelo Antônio, lá de Laguna.

Encontradas em diversas preparações estavam os produtos desenvolvidos pelo Núcleo de Estudos em Gastronomia – NEG/IFSC, a partir das frutas nativas do bioma Mata Atlântica. A geleia de butiá nos casadinhos, geleia de araçá vermelho no bolo de fubá, geleia de jabuticaba na panna cotta e a goiaba serrana na cuca e em compota eram algumas das preparações encontradas.

“A gente quer mostrar um pouco da nossa regionalidade e da nossa potencialidade nativa. A gente vê na hotelaria uma tendência de se trazer a cozinha regional como uma experiência já dentro do hotel, não só deixar para o cliente-hóspede-turista procurar isso nos restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação”, afirma a professora Flavia. E completa, “trazer para a hotelaria uma oportunidade de enxergar essas produções gastronômicas como experiência do turismo também.”

Os pães servidos foram produzidos pelos alunos, sob orientação da professora Alice, que nos provocou com uma indagação, “ Qual o sabor de Florianópolis? Quando a gente vai para o Norte, a gente experimenta uns sabores diferentes, e aqui em Santa Catarina, qual o sabor da nossa terra? É um convite a isso, a gente experimentar os sabores dessas frutas nativas do nosso bioma Mata Atlântica”.

Pelas mesas do salão, a professora Fabiana Mortimer, coordenadora do NEG/IFSC, distribuiu amostras dos produtos desenvolvidos através das pesquisas do núcleo com as frutas nativas do nosso bioma: catchup, maionese e geleia de araçá,  mostarda de uvaia e geleia de butiá. “A gente, em conjunto, precisa fortalecer essa cadeia, a cadeia da cultura, da biodiversidade brasileira, que só vai alavancar na hora que todo mundo abraçar ela junto”, afirma a professora.

A regionalidade estava presente nas louças utilizadas para servir o café. As peças foram desenvolvidas por ceramistas do bairro José Mendes em parceria com o Design Possível SC/IFSC, dentro do projeto de extensão “A cerâmica utilitária como referência cultural do bairro José Mendes”. Utilizando a fauna, flora, lendas, cultura da pesca e sambaqui indígena como inspiração, os ceramistas criaram peças para fins gastronômicos. O uso da argila do tipo terracota também valorizou a tradição da cerâmica regional.

Valorizar a cultura, a produção local e a biodiversidade, enxergando suas potencialidades e respeitando os/as envolvidos/as, reforça a sustentabilidade em seus três eixos, econômico, ambiental e social. A rede produtiva da gastronomia – e sua ampla transversalidade – se fortalece. A cidade – e entorno –  e seus cidadãos ganham. Regenera e impulsiona a economia criativa local, em consonância com os objetivos da Rede Mundial de Cidades Criativas Unesco, a qual Florianópolis integra desde 2014 na categoria Gastronomia.

Os/as produtores/as e ceramistas estão se organizando para atender a demanda do mercado. O contato de todos pode ser encontrado abaixo. Em alguns é possível agendar visitas para conhecer a proposta e acompanhar a produção. Vale a pena!

CAFÉ REGIONAL ALIADO À SUSTENTABILIDADE – Lista de produtores